“NOVO” – “Franz Kafka: o mal-estar como cultura ontem e hoje”, por Márcio Seligmann Silva

Apresentação de Márcio Seligmann Silva, professor titular de Teoria literária da UNICAMP, ao Instituto CPFL/Cultura, São Paulo.

“As personagens de Dostoiévski sofrem sobremaneira, mas, ainda assim, elas conseguem dar sentido às suas angústias e prostrações, de modo a compreender o que as aflige – ainda que, de forma trágica, a transformação do mundo e de suas vidas já não seja propriamente tangível. O universo de Franz Kafka, por sua vez, parece levar às últimas consequências o cosmos agônico de Dostoiévski – “Há esperança, mas não para nós”, diz o autor tcheco em um célebre (e lúgubre) aforismo. Gregor Samsa (A metamorfose) e Josef K. (O processo) são acossados por poderes e reveses que lhes escapam absolutamente – a espada de Dâmocles despenca sobre suas vidas sem que eles consigam dimensionar sequer uma fímbria da complexa engrenagem que os oprime.

Quando lemos Kafka pela chave do recrudescimento das estruturas de poder e vigilância, a noção freudiana de “mal-estar na civilização” acaba sendo revertida em “mal-estar como civilização”. Assim, o autor tcheco nos ajudará a compreender as metamorfoses da banalidade do mal em nossa época.” (Instituto CPFL/Cultura)

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